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Recife, Boa Viagem PE, Brazil
Sou psicóloga,me dedico inteiramente a este meu trabalho. Pós graduanda em Saúde Mental com enfoque em álcool e outras drogas. Abordagem Terapia Cognitiva Comportamental. Atendo em Aldeia,Ilha do Leite, Boa Viagem e Gravatá. (81)9963-3553

quarta-feira, 20 de abril de 2011

"O PAÍS DO RIVOTRIL"

"Uma droga barata, mas de tarja preta, contra a ansiedade vende mais do que os tradicionais Tylenol e Hipoglós. Alguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade tarja preta, vendido apenas com retenção de receita se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril,que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o rankingdos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita aindústria farmacêutica.
Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar. O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países. A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina.Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades,castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram assustador e que depõe frontalmente contra a imagem de nação feliz que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar. O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receitade Rivotril. Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. Mas ele pode mascarar quadros mais graves. O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença. O terceiro fator que contribui para a venda de Rivotril é o que o psicanalista Plínio Montagna chama de glamorização do ato de medicar-se. No passado havia preconceito contra os remédios psiquiátricos. Recentemente, houve uma guinada cultural e eles passaram a ser vistos como resposta a todos os problemas da existência. Os médicos (sobretudo os que não são psiquiatras) receitam remédios psiquiátricos com total desenvoltura. Da parte dos pacientes, também existe a expectativa de que isso aconteça.Todos têm pressa. Emoções normais e importantes para a mente, como tristeza ou ansiedade em situação de perigo, são eliminadas porque incomodam, diz Montagna, que é presidente da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Questões existenciais são tratadas como sintomas médico-psiquiátricos, com a colaboração de uma avassaladora quantidade de dólares gastos em publicidade pela indústria farmacêutica. É frequente eu receber para tratamento pacientes com dosagens excessivas de medicação ou coquetéis de diversas substâncias, sem que os aspectos psicológicos tenham sido levados em consideração, afirma o psicanalista, que também é formado em psiquiatria. Por trás da precariedade do sistema de saúde e do modismo da medicação, existe a crescente incapacidade das pessoas e dos médicos em conviver com um dos sentimentos mais enraizados da psique humana, a ansiedade. Ela está lá desde os primórdios do homem, associada a temores e ameaças indefiníveis. Embora desagradável, é um dos motores da existência. Faz parte da nossa constituição evolutiva. Ela é um estado de alerta, um estímulo para produzir. O contrário da ansiedade é a apatia, diz o psicanalista Eduardo Boralli Rocha. Totalmente diferente dessa ansiedade benigna é a combinação explosiva de urgência, competição e sentimento de exclusão que caracteriza o nosso tempo. As pessoas sentem que em algum lugar está havendo uma festa para a qual elas não foram convidadas e têm de correr atrás, diz Boralli. Sigmund Freud, o criador da psicanálise, dizia que a ansiedade era o sintoma de algo que não estava bem resolvido interiormente. Ele diferenciava entre a ansiedade produzida por uma situação externa real e aquela imaginada ou brutalmente amplificada por nossos medos interiores. A primeira não deveria ser medicada, mas ela tornou-se tão presente, tão avassaladora, que é isso que tem sido feito, em larga escala. Um exemplo está na coleção de propagandas de ansiolíticos acumulada pelo professor Elisaldo Carlini, coordenador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo. São folhetos promocionais que os laboratórios deixam nos consultórios médicos. Um deles mostra uma mulher com um largo sorriso depois de tomar um remédio que corrigiu a ansiedade gerada por três bilhetes recebidos ao mesmo tempo: um do marido, avisando que chegará tarde para o jantar; outro do filho, dizendo que vai trazer o time de basquete para o lanche; e o terceiro da empregada, avisando que faltou ao trabalho porque foi a um posto de saúde. Viver dá ansiedade, mas criou-se a cultura de que problemas cotidianos devem ser enfrentados com remédios, diz Carlini. As mulheres, principalmente, aprendem que precisam ser magrinhas e calminhas. Quando indicado segundo os melhores critérios, o Rivotril pode ser bastante útil no tratamento da ansiedade generalizada. O paciente vive angustiado, preocupado, nervoso. Dorme mal, não se concentra e se irrita por qualquer coisa. Sozinho, no entanto, o remédio não resolve o problema. O tratamento depende também do uso de outros recursos, como antidepressivos, psicoterapia e atividade física. O mesmo vale para o tratamento de outros transtornos, como síndrome do pânico, fobias e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Enquanto os antidepressivos demoram cerca de duas semanas para começar a agir, o Rivotril age rápido, assim como outros ansiolíticos (Lexotan, Valium, Frontaletc.). A função desses remédios é ser uma ponte temporária até o início da ação dos antidepressivos. Ou um apoio. A síndrome do pânico, por exemplo,é tratada com antidepressivos. Quando o paciente enfrenta situações que podem provocar recaídas, é comum que o médico recomende que tenha o Rivotril sempre à mão. Esses remédios, no entanto, não devem ser usados por muito tempo e sem rigoroso acompanhamento médico. Eles podem causar dependência. Há pessoas que desenvolvem dependência em cinco anos. Outras se viciam em menos de 30 dias. Podem ocorrer crises de abstinência com a interrupção da droga. Os sintomas mais comuns são insônia, irritabilidade excessiva e tremores. Não há dose segura contra o vício. Rivotril não deve ser remédio de uso contínuo. Deve ser reservado para as crises agudas e usado por no máximo seis semanas, diz o psiquiatra Joel Rennó Jr., coordenador do Projeto de Saúde Mental da Mulher doHospital das Clínicas, em São Paulo. Na prática, muitos pacientes recebem a receita de Rivotril e passam meses sem ser vistos por um médico. Quando voltam a consultar um profissional de qualquer especialidade, dizem que o anterior receitou o remédio e se sentiram bem. Acabam saindo do consultório com uma nova receita. A professora gaúcha Carmen Paula Pinto, de 40 anos, toma Rivotril há cinco,como parte do tratamento de transtorno bipolar. Reclama de efeitos colaterais como sonolência e boca seca. Mas o que mais a incomoda é o enfraquecimento da memória. Quando leio um livro, muitas vezes tenho de voltar à mesma frase, ao mesmo parágrafo. Uma vez até cheguei a esquecer o que havia almoçado, diz. Há três anos, decidiu parar de tomar o remédio por conta própria. Sentiu sintomas de abstinência, como tontura e falta de equilíbrio. Depois de alguns meses, decidiu voltar ao remédio. Estou conformada em ter de depender doremédio por um bom tempo ou até para sempre. Carmen é acompanhada por um psiquiatra e compra o remédio de acordo com a orientação dele. Uma parcela dos consumidores chega ao remédio por meio deoutros expedientes. Muita gente consegue adquirir ansiolítico pela internet ou compra receitas em consultórios de quinta categoria, afirma Rennó Jr. Em uma das pesquisas coordenadas por Elisaldo Carlini, do Cebrid, descobriu-se que um único médico fez mais de 7 mil prescrições de ansiolítico por ano. Houve casos também de falsificação dos receituários. As receitas que ficavam retidas nas farmácias continham o mesmo número de série ou o CRM de médicos mortos ou inexistentes. Formas ilícitas de acesso ao remédio alimentam o uso recreativo de Rivotril. Ele virou um clássico nas baladas entre jovens que o misturam com ecstasy ou álcool. Há várias comunidades no site de relacionamento Orkut criadas por usuários dessa combinação. O Rivotril potencializa a função do álcool. Em doses excessivas, a mistura pode levar ao coma. Há outro tipo de uso, associado ao ecstasy e à cocaína, drogas que deixam as pessoas ansiosas. Elas tomam Rivotril para tentar neutralizar esse efeito. Segundo os especialistas, não adianta. Por trás do crescimento das vendas do Rivotril há uma história de marketing que merece ser contada. Até 1999, o remédio era promovido entre os médicos apenas como um anticonvulsivante. Era um mercado restrito. Nos últimos anos, surgiram estudos que comprovaram que ele funcionava contra a ansiedade. O fabricante passou a divulgar essa aplicação entre psiquiatras, cardiologistas, neurologistas, geriatras etc. O sucesso do Rivotril é decorrência do aumentodos casos de transtornos psiquiátricos e do perfil único do nosso produto: ele é seguro, eficaz e muito barato, diz Carlos Simões, gerente da área de produtos de neurociência e dermatologia da Roche. E o baixo preço protege o produto. O Rivotril é 600% mais barato que o seu principal concorrente, oFrontal, da Pfizer. Outra característica ajuda a explicar por que ele vende tanto. É o único de sua categoria disponível também na apresentação sublingual gotas que agem rápido se colocadas embaixo da língua. Na casa da aposentada Ecleide Moreira Rodrigues, de 60 anos, não pode faltar Rivotril. Ele é usado com duas finalidades distintas: o filho de Ecleide sofre de epilepsia e não fica sem o remédio. Há um ano, ela também virou adepta do medicamento. Não consegue dormir sem ele. Descobriu que a causa da insônia eraestresse e depressão. Chegou a fazer psicoterapia e percebeu que passou a dormir melhor. Mas parou antes de receber alta. Por relaxo, diz ela. Em casos como o de Ecleide, a psicoterapia pode dar ótimos resultados. Mas não costuma ser um percurso fácil. Para vencer a ansiedade não basta recorrer a umas gotinhas de Rivotril a cada crise. É preciso reorganizar a vida.
- Os riscos da tranquilidade em comprimidos:
Os efeitos dos ansiolíticos mais vendidos, conhecidos como benzodiazepínicos:
O QUE ELES FAZEM: Inibem algumas funções do sistema nervoso, causando relaxamento muscular,sonolência e diminuição da ansiedade.
PARA QUE SERVEM: Estimulam a ação de um ácido (conhecido como gaba) no cérebro. Ele inibe aativação de áreas relacionadas ao medo e à ansiedade.
QUANDO DEVEM SER USADOS: Com outros remédios, são indicados para tratar vários transtornos mentais. Não são recomendados para aplacar tensões do cotidiano.
QUAIS SÃO OS EFEITOS COLATERAIS: Sonolência excessiva e diminuição da coordenação motora. Podem ocorrer dificuldades no processo da aprendizagem e da memorização.
CAUSAM DEPENDÊNCIA? Sim. Algumas pessoas desenvolvem dependência em cinco anos. Outras se viciamem menos de 30 dias. Podem ocorrer crises de abstinência.
COMO EVITAR A DEPENDÊNCIA? Não há dose segura contra o vício. Quanto menor a dose, menor aprobabilidade de o paciente desenvolver."

Fonte: REVISTA ÉPOCA 23/02/2009

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Você tem experiência?

No processo de seleção da Volkswagen do Brasil, os candidatos deveriam responder a seguinte pergunta: 'Você tem experiência?'
 
A redação abaixo foi desenvolvida por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e com certeza ele será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia e acima de tudo por sua alma.

Redação Vencedora:

Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar.
Já me queimei brincando com vela.
Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto.
Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo.
Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.
Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora.
Já passei trote por telefone.
Já tomei banho de chuva e acabei me viciando.
Já roubei beijo.
Já confundi sentimentos.
Ja peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.
Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro.
Já me cortei fazendo a barba apressado.
Já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis de esquecer.
Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas.
Já subi em árvore pra roubar fruta.
Já caí da escada de bunda.
Já fiz juras eternas.
Já escrevi no muro da escola.
Já chorei sentado no chão do banheiro.
Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante.
Já corri pra não deixar alguém chorando.
Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.
Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado.
Já me joguei na piscina sem vontade de voltar.
Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios.
Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.
Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso.
Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial.
Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já apostei em correr descalço na rua.
Já gritei de felicidade.
Já roubei rosas num enorme jardim.
Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um 'para sempre' pela metade.
Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol.
Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.

Foram tantas coisas feitas...

Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú, chamado coração.
E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: 'Qual sua experiência?' Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência... experiência... Será que ser 'plantador de sorrisos' é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?

Fonte: Publicado no jornal interno do RH - Volkswagen do Brasil - nome do candidato não mencionado

Sou Muito Exigente?

Quando estamos em busca de uma pessoa para nos relacionarmos, é natural que utilizemos determinados critérios de seleção. Ter critérios é algo compreensível e esperado, já que evidentemente ninguém quer estar com “qualquer um(a)”. Há aqueles que selecionam pela aparência física, como, por exemplo, os homens que buscam mulheres loiras ou as mulheres que gostam de homens com cabelos compridos. Há outras pessoas que procuram pretendentes por características que vão além da aparência. Estas geralmente querem se relacionar com quem tem determinada formação, mora em determinado local, tem certas características de personalidade. Há pessoas, no entanto, que transformam seletividade em uma exagerada exigência. (…) Este artigo é, então, uma tentativa de ajudar todas essas pessoas a refletir e a responder a própria pergunta. Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que os tais critérios de seleção devem funcionar apenas como preferências. Posso, por exemplo, preferir homens morenos, mas isso não me faz descartar, imediatamente, qualquer loiro que me apareça na frente. Assim sendo, é fundamental que ninguém fique preso a determinadas características específicas do outro e o dispense caso o pretendente não tenha uma delas. Mas o que faz com que uma pessoa cruze a fronteira da seletividade e se torne tão exigente ao buscar um parceiro? Vejamos algumas possibilidades.
Relacionamentos:
desejo x temor – Há muitas pessoas que, embora desejem verdadeiramente ter um relacionamento, têm medo, por motivos diversos, que isso aconteça. É comum, então, que, para elas, a exigência exagerada funcione como uma espécie de “escudo”. Ora, como ninguém é capaz de se encaixar em critérios tão rígidos, a pessoa continua sozinha, evitando, portanto, que se depare com aquilo que teme. Minha primeira sugestão é que não apenas os próprios critérios, mas principalmente os próprios temores sejam objeto de reflexão. Antes de buscar alguém para se relacionar, é necessário saber se o desejo de ter uma relação é maior que os temores que a simples ideia de se relacionar podem despertar.
Idealização excessiva – Por trás de uma grande exigência, geralmente está uma grande idealização. Uma pessoa que tem parâmetros rigorosos demais na escolha de um parceiro costuma estar em busca de alguém que simplesmente não existe. Essa busca impossível evidentemente gera muitas frustrações. Isso acontece porque, em todo início de relacionamento, há esperanças de o parceiro ser finalmente a pessoa “perfeita” tão procurada. Aos poucos, no entanto, o outro se mostra humano, com falhas, contradições e divergências de opiniões. Quando a idealização é intensa, a decepção acaba sendo enorme. Aos relacionamentos, o dito popular “quanto maior a altura, maior o tombo” se adéqua com perfeição. (…). É importante saber se elas estão de acordo com a realidade, ou seja, se você busca uma pessoa que “existe”, ou se há um excesso de idealização. Caso haja, é preciso rever os próprios conceitos e usar parâmetros possíveis na busca do companheiro.
Relacionamentos não são algo objetivo – Outro fator que leva à exigência exagerada é quando os relacionamentos são tratados como fossem algo puramente objetivo. (…) É fundamental lembrar, contudo, que relações têm muito mais aspectos subjetivos do que objetivos. Por esta razão, não basta que o pretendente cumpra determinados “requisitos” para que a relação dê certo. Mais do que isso, são necessários certos itens subjetivos, como a empatia entre ambos, uma boa conversa, a vontade de falar e estar com o outro, a sensação de que um combina com o outro, entre tantas outras. Se pensarmos bem, quantas vezes nos interessamos por pessoas que pouco têm em comum conosco? Por tudo isso, é importante não se prender tanto a critérios objetivos pré-estabelecidos. É sempre recomendável dar uma chance também àquele que tem características um pouco diferente da que você pensou.
(…) Feitas todas essas reflexões, termino com uma sugestão final, que resume tudo o que vimos aqui: ao buscar alguém para um relacionamento, avalie se você realmente deseja ter uma relação, evite idealizar demais o outro, não trate a busca por um parceiro como uma “seleção de currículos” (…)

Mariana Santiago de Matos

terça-feira, 12 de abril de 2011

Uma outra providência

Não foi o revólver que atirou em Realengo, foi a cabeça do atirador. Para casos de transtorno mental, falta o conhecimento de serviços capazes do auxílio
A MISTURA DE emoções penosas e cobranças e promessas de pretensas medidas preventivas é um hábito brasileiro, ainda que não só nosso. A combinação é péssima, com a pressa ocupando o lugar da calma indispensável para a ponderação dos problemas e das sempre variadas propostas para prevenir repetições do fato perverso.
Ainda nos desdobramentos imediatos da tragédia de Realengo estavam já propostas e promessas de ações entre pessoas emocionadas e representantes governamentais. Polícia na porta das escolas; fortalecimento e sistemas escolares de vigilância contra violência, ampliação prática das restrições à posse de armas são as majoritárias, muitas vezes igualado seu teor simplório ao pedantismo do "especialista" que também as propunha.
Um policial na porta da escola seria, como disse o secretário José Mariano Beltrame, o primeiro a morrer em Realengo. Esse gênero de proteção tem sido inócuo onde quer que ad otado.
Que o digam os bancos, os restaurantes paulistas com vigilante e os shoppings em todas as cidades. Fazer das escolas fortalezas seria absurdo em muitos sentidos, além da evidência de que mesmo quartéis são assaltados, inclusive em seus bancos internos como o da Vila Militar no Rio. E por aí vai.
Os projetos na Câmara e no Senado para ampliação do porte de armas, citados pela aritmética jornalística desde 11 até 300 e tantos na fila, não têm cabimento algum. Muito ao contrário, os portes admitidos por lei devem ser mais reduzidos. O que justifica, entre outros, o porte de arma por bombeiros? Mesmo o porte de armas livre para militares deveria ser objeto de exame (se isso fosse possível no Brasil), com os exemplos do seu mau uso, até a pretexto do trânsito, e a carência de exemplos positivos.
Mas, quanto a episódios de monstruosidade e seus revólveres: se um homicida como o de Realengo, em vez do revólver, matar com faca, alcançará igualmente o seu objetivo.
Não foi o revólver que atirou em Realengo. Não foram os dedos que o acionaram. Foi a cabeça do atirador. Nessas violências, antes de tudo está a cabeça. E por que ela agiu, no caso e nos demais de desatino semelhante? Por desconhecimento e inércia -o que não quer dizer culpa- de segundos e terceiros mais próximos, ou menos distantes, do rapaz arredio.
As poucas e breves narrativas que o retratam, na visão de parentes, expõem com toda a clareza um longo caso de transtorno mental necessitado de tratamento. As narrativas demonstram, na mesma medida, que não faltou a percepção desse estado por quem ouvia ou observava o rapaz: o fascínio pelo ataque às torres em Nova York, o desejo de destruir o Cristo Redentor, a reclusão voluntária, a alteração da própria figura -tudo muito indicativo e bem percebido.
Apesar disso, não houve iniciativa alguma. Apenas estranheza. Não há por que imaginar descaso, muito menos de to dos. A falta, tudo indica, foi de conhecimento do que fazer. De conhecimento da existência de serviços capazes do auxílio, até em um simples posto de saúde apto a dar orientação sobre o serviço a procurar. Sim, tais serviços são pouco numerosos; faltam-lhes mais verbas, mais pessoal, mais instalações. Existem, no entanto. E devem ser procurados para casos como o do rapaz de Realengo. Tão numerosos.
A providência que falta é a informação ao grande público sobre o que está ao seu alcance, quando estranhezas excessivas e injustificáveis impressionem. Não porque a persistência das condutas leve a desfechos horríveis. Mas o sofrimento do próprio transtornado já é bastante para uma iniciativa solidária.
Providência governamental já atrasada é uma campanha insistente de esclarecimento do grande público, sobre o que deve fazer diante de casos como o do rapaz de Realengo antes da explosão de seu distúrbio. Isso, sim, é uma das prevenções necessárias -para pacientes e para a sociedade.
Do contrário, nos casos que vão aos extremos, quando não forem revólveres, serão facas, serão barras de ferro, serão as mãos. E, nos outros casos, será o sofrimento reparável de tanta gente, dos pacientes às famílias e aos próximos.

Fonte:Folha de São Paulo - JANIO DE FREITAS

domingo, 10 de abril de 2011

Decisão do TJ que afasta limitação de dias para internação em clínicas para casos de dependentes químicos

O desembargador Marcelo Buhatem, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio, proibiu a Unimed-Rio de limitar a internação de um dependente químico em apenas 15 dias por ano. Segundo ele, não há prazo para internação para este tipo de doença. A decisão foi proferida na apelação cível proposta pela empresa de saúde contra sentença da 42ª Vara Cível da Capital, que já havia determinado a continuidade do tratamento do paciente.  Representado no processo por sua mãe, o autor está internado em uma clínica psiquiátrica para tratamento da sua dependência química. Devido à complexidade do caso e da maneira compulsiva que ele vinha fazendo uso de maconha e cocaína, colocando em risco sua integridade física e emocional, os médicos disseram que o paciente necessitaria de um prazo maior de internação.

A Unimed alegou, no entanto, que cláusula do contrato firmado entre as partes limita em 15 dias por ano as internações de segurado portador de intoxicação ou abstinência provocada por alcoolismo ou outras formas de dependência química. Após este prazo, o plano custeará apenas 50% do valor da despesa.

Com base em decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), o desembargador disse que são abusivas as cláusulas de contrato de plano de saúde limitativas do tempo de internação.

Insere-se, assim, no conceito de desvantagem exagerada a cláusula que limita a 15 dias por ano a internação de segurado portador de quadros de intoxicação ou abstinência provocadas por alcoolismo ou outras formas de dependência química, porque além de se mostrar excessivamente onerosa para o consumidor, restringe direitos e obrigações fundamentais ao contrato de plano de saúde, que tem como fim maior o restabelecimento da saúde do segurado, considerou o desembargador Marcelo Buhatem.

Ele disse também que a Lei 9.656/98 determinou que a cobertura dos planos de saúde deve abranger todas as enfermidades previstas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde. Ainda de acordo com o magistrado, a lei proibiu a limitação de consultas médicas, exames, internações hospitalares, inclusive em leitos de alta tecnologia (CTI ou UTI).

O desembargador considerou ainda que, por se tratar de relação de consumo, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) também incide no caso. Para ele, a cláusula é nula. Nos termos do artigo 51, IV, do CDC são nulas de pleno direito, entre outros, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade.


Fonte:www.tjrj.jus.br

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Quem cuida também pode adoecer

A ´Fadiga por Compaixão` é uma síndrome caracterizada por uma fadiga física e emocional vivida pelos ´Profissionais do Cuidado`, tais como médicos, enfermeiros, psicólogos, fonoaudiólogos, nutricionistas, assistentes sociais e outros. Estes, além de terem de lidar com o estresse, com as suas insatisfações, seus sentimentos pessoais frente ao trabalho e os conflitos normais oriundos dele, ainda se veem frequentemente expostos a eventos como o sofrimento físico ou emocional e o trauma daqueles que precisam de seus cuidados, assim como de sua sensibilidade para poderem lidar o mais humanamente possível com eles.

Testemunhar o sofrimento ou a dor de alguém pode ser tão doloroso e angustiante quanto viver o mesmo sofrimento ou a mesma dor em nosso próprio organismo, sobretudo para os mais propensos a se sensibilizar com os sentimentos alheios, e por esse mesmo motivo escolhem a profissão de cuidadores, a fim de servirem melhor a outros seres humanos. Essa empatia, esse envolvimento, essa vontade de servir, assim como a compaixão despertada em sua pessoa pelo outro a quem cuida, contudo, pode gerar a dor de cuidar.

Acrescenta-se também que os profissionais do cuidado (incluem-se aqueles que trabalham em atendimentos emergenciais tais como bombeiros e socorristas) podem sentir-se ainda vivendo a dor de alguns ou de tantos quantos eles cuidam ao mesmo tempo. Sua compaixão, por exposição constante ao trabalho frente a eventos dolorosos ou traumáticos, pode trazer-lhes sintomas psicológicos no próprio corpo, levando-o a uma fadiga, como resíduo de sua compaixão, devido ao constante contato com o estresse provocado por ela. É quando, então, que quem cuida também pode adoecer.

Ter piedade, costuma ser igualmente descrito como sendo sinônimo de compaixão, já que aquele termo traduz-se como o amolecimento do nosso egoísmo, pena dos males alheios, dó e comiseração, embora também signifique amor e respeito às coisas religiosas ou devoção. Todavia, a compaixão frequentemente combina-se a uma ajuda àqueles pelos quais se compadece, em forma de uma ação efetiva.

Segundo alguns autores, a ´Fadiga por Compaixão` seria diferente do ´Esgotamento`, porém poderia provocá-lo. A primeira reflete-se através de sintomas psicossomáticos, ou seja, sintomas emocionais que se expressam no corpo, engendradas a partir das ações e do investimento de energia de vida na vida profissional dos cuidadores. Daí a necessidade de o profissional cuidador poder também, além de cuidar dos outros, cuidar bem do seu próprio corpo físico e de sua mente, evitando os riscos de experimentar esses sintomas ou mesmo de comprometerem sua saúde mental.

O cuidado com a vida espiritual também pode ajudar muito para que possam sentir suas energias reencontrarem equilíbrio, minimizando os efeitos maléficos dos sintomas da Fadiga por Compaixão no corpo, já que essa pode causar depressão, exaustão, declínio nas habilidades de experimentar alegria, assim como de sentir preocupação pelos outros.


Fonte: Jornal Diário de Pernambuco de 01/04/2011

sábado, 2 de abril de 2011

Afogar “mágoas” com bebida leva jovens ao alcoolismo mais depressa

Diego Maldonado, o menino bonito e rico da novela Rebelde, usa a bebida como “válvula de escape” para esquecer a tumultuada relação que tem com o pai, um poderoso empresário que não aceita o lado artístico do filho.
Quem diz isso é o próprio Arthur Aguiar, o intérprete do protagonista, em entrevista exclusiva ao R7.
Diego nasceu em uma poderosa família de políticos e empresários bem-sucedidos. Com uma vida bastante confortável, teria tudo o que quisesse se não fosse desprezado pelo pai – um homem poderoso que não tem tempo para ele, nem para a mulher.
Além da distância física, Diego sente também o desgosto do pai pela sua personalidade. Ele quer que o filho siga seus passos, mas Diego gosta de música, não de negócios. Para tentar atrair o pai, o rapaz passou a exagerar na bebida alcoólica e viver situações perigosas.
- Ele bebe para chamar a atenção do pai. Pode ver, sempre quando ele é desprezado pelo pai, ele bebe.
Arthur, que tem 22 anos, e é bem diferente de seu personagem, diz que nota vários “Diegos” em outros jovens. Para encarar o mauricinho, tem ido aos bares cariocas com os amigos para observar como meninos e meninas se comportam a mesa. Exageros, segundo ele, dão o tom na maioria.
- Os jovens hoje bebem demais por qualquer coisa e acham que só podem se divertir assim. Eu não preciso beber para me divertir, bebo só socialmente e nem em todos os fins de semana, como a maioria faz.
Ex-nadador profissional, o carioca acha o comportamento de Diego preocupante, mas entende que o problema é emocional.
- Talvez se o pai desse atenção para ele, o Diego não precisaria fazer tudo aquilo. Ele já tem feito coisas perigosas, como pegar o carro bêbado e bater.

Arthur não sabe ainda se Diego se tornará um alcoólatra, mas assegura que seu personagem vai aprontar muito mais por aí.
Alcoolismo na juventude
Ser um alcoólatra quando jovem implica em problemas até mais graves do que quando se é adulto. Isso porque o abuso do álcool pode alterar o sistema nervoso que ainda está em formação. O resultado: causa dependência de forma mais rápida e destruidora do que em pessoas maiores de 21 anos, segundo Sérgio Duailib, especialista em dependência química e doutor pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).
- Quanto mais precoce se inicia o consumo de álcool, mais cedo a bebida vai atingir o sistema nervoso. Essa estimulação precoce leva à repetição do comportamento de forma bem mais frequente do que em um cérebro de um adulto, que já está totalmente formado e preparado para receber e reagir a esses estímulos.
O resultado das bebedeiras tende a influenciar de forma crítica o aprendizado e a vida social desse jovem.
- A dependência leva à tolerância da bebida e esse jovem vai precisar cada vez mais dela para conseguir o mesmo efeito. Isso vai levar à queda do rendimento escolar e alteração do comportamento.
Qual é o limite?
O limite entre beber muito para se divertir ou para afogar as mágoas é bem tênue se comparado entre pessoas que bebem por vício, como um alcoólatra, explica o psiquiatra Pedro Katz, diretor técnico do SAID (Serviço de Atenção Integral ao Dependente), do Hospital Samaritano em conjunto com a Prefeitura de São Paulo.
Segundo o especialista, beber várias vezes por semana, ou voltar alcoolizado das últimas reuniões com amigos, já podem ser considerados fortes indícios de abuso do álcool.
Entender como isso acontece nem sempre é fácil. São vários os fatores que levam os jovens a beber demais e, por consequência, se tornarem alcoólatras. Um deles, segundo Katz, é achar que o uso esporádico do álcool é normal até dentro de casa. Isto é, assim como Diego, a família pode ter papel importante nesse comportamento.
- É a banalização do consumo que mais preocupa. Um exemplo é a apresentação da bebida pelos próprios pais ou por amigos cujos pais autorizam e incentivam, sem lembrar que o jovem busca sensações de prazer ou vive sob pressão de um grupo.
É comum também, segundo ele, jovens abusarem da bebida para ficar mais desinibidos, preencher vazios existenciais, quadros de ansiedade, e mesmo uma depressão. E quanto maior for a frequência, maior a chance desse jovem se tornar dependente.
Diante desses fatores, Katz orienta aos pais a ficarem atentos ao comportamento dos filhos e saber quem são seus amigos.
Tratamento
O alcoolismo juvenil deve ser tratado. O ideal é procurar um médico psiquiatra, que tem condição de analisar o comportamento e administrar medicação adequada, da mesma forma como são tratados alcoólatras de qualquer idade. O diferencial, nesses casos, no entanto, é saber como lidar com um paciente mais jovem. Por isso, Katz indica aos pais a procura por especialistas em tratamento de adolescentes.
- O adolescente é muito mais impulso do que emoção. Com eles tem que se buscar primeiro uma questão motivacional, trabalhar com reforços positivos, e descobrir se ele sofre de outros quadros como ansiedade, déficit de atenção ou depressão, antes de tratar.

Fonte: Uniad