O crack e o oxi são muito parecidos. Por isso, policiais e também peritos estão sendo orientados a identificar essa droga nas ruas da cidade.
O oxi, uma droga ainda mais letal e viciante que o crack, pode estar circulando em São Paulo. Não há um combate especifico para essa droga, até porque não se consegue resolver nem o problema do crack, que já circula há pelo menos duas décadas no Brasil.
O crack conseguiu invadir boa parte do Centro de São Paulo. Começou com algumas dezenas de pessoas sentadas nas calçadas fumando pedras de crack com cachimbos improvisados. Esse número cresceu bastante, principalmente de uma década para cá.
Na Praça Júlio Prestes, fica um dos pontos turísticos de São Paulo, as pessoas enfrentam alguma violência porque muito perto, a alguns quarteirões, fica a chamada Cracolândia. Do alto, é possível ver como funciona a Cracolândia. Pessoas sentadas e deitadas na calçada fumam o crack. Esse número durante o dia costuma ser muito maior: chega a 400 pessoas.
Duas semanas atrás, a polícia fez a última operação e prendeu cinco traficantes. São microtraficantes que chegam de bicicleta, escondem drogas em orelhões e abastecem a droga na região. Os traficantes presos já foram substituídos, e eles acabam mantendo o comércio do crack no Centro de São Paulo sempre ativo, dia e noite.
Segundo o Departamento de Narcóticos de São Paulo (Denarc), não houve nenhuma apreensão oficial do oxi, mas acredita-se que a droga esteja chegando a São Paulo. Não houve apreensão justamente por causa da semelhança do crack com o oxi. Os dois são feitos de cocaína, são muito parecidos. Por isso, policiais e também peritos estão sendo orientados a identificar essa droga.
A diferença entre o oxi e o crack é a composição química. “A diferença está na forma de extração. O crack é extraído com substâncias, por exemplo, o bicarbonato. O oxi é extraído da pasta de cocaína com substâncias como querosene e cal virgem. Possivelmente, isso leva a um produto mais concentrado. Por essa concentração, o oxi é mais agressivo do que o crack. Causa efeitos mais rapidamente e tem um potencial de abusos maior ainda do que o crack”, explica o psiquiatra Ivan Mario Braun.
O crack e o oxi são muito parecidos. Por isso, policiais e também peritos estão sendo orientados a identificar essa droga nas ruas da cidade.
Bom Dia Brasil
São Paulo - SP
Quem sou eu
- Taciana Paula Grubba
- Recife, Boa Viagem PE, Brazil
- Sou psicóloga,me dedico inteiramente a este meu trabalho. Pós graduanda em Saúde Mental com enfoque em álcool e outras drogas. Abordagem Terapia Cognitiva Comportamental. Atendo em Aldeia,Ilha do Leite, Boa Viagem e Gravatá. (81)9963-3553
sexta-feira, 29 de abril de 2011
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Brasileiro está mais gordo e bebendo mais
O brasileiro está mais gordo, mais sedentário e abusando de bebidas alcoólicas, revela o Vigitel, estudo feito pelo Ministério da Saúde.
"No geral, os números preocupam bastante", avaliou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. O trabalho, que analisa estatísticas sobre fatores de risco para doenças crônicas, aponta ao menos um bom indicador: a redução do número de fumantes entre a população em geral, que passou de 16,2% para 15,1% em cinco anos.
Segundo a pesquisa, quase metade da população está acima do peso. Entre mulheres adultas, os índices de sobrepeso aumentaram 5,8 pontos porcentuais entre 2006 e 2010, passando de 38,5% para 44,3%. Na população masculina, o aumento foi de 4,9 pontos porcentuais no mesmo período: passou de 47,2% para 52,1%. As taxas de obesidade também cresceram. Atualmente, 15% da população é considerada obesa. "Mantido esse ritmo, em 13 anos a população brasileira terá o mesmo perfil de obesidade que a população americana", disse o secretário.
Em relação às bebidas alcoólicas, a situação também piorou. Em 2006, 16,2% da população adulta admitia beber em excesso. O porcentual agora está em 18%. Entre mulheres, a variação subiu de 8,2% para 10,6%. Na população masculina, os índices passaram de 25,5% para 26,8%.
O secretário observa que a prevalência de hábitos pouco saudáveis é mais acentuada entre população de baixa escolaridade. "Daí a necessidade de se reforçar medidas preventivas", afirma.
Ele informa que o governo deverá apresentar no próximo semestre um plano de ações para combater quatro doenças crônicas comuns no País, como diabetes, problemas cardiovasculares, respiratórios e diversos tipos de câncer. A ideia é traçar ações para reduzir fatores de risco dessas doenças: tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo. "Nesse momento, fazemos uma análise crítica das ações que até agora foram adotadas."
Esta é a quinta edição da pesquisa, batizada de Vigitel e feita por meio de entrevistas telefônicas com população adulta das capitais do País. Neste ano foram ouvidas 54.339 pessoas. A pesquisa mostra que hábitos alimentares da população vêm mudando para pior. Há uma redução do consumo de arroz e feijão, uma dupla clássica na dieta brasileira considerada protetora contra hábitos incorretos de alimentação. Ao mesmo tempo, o consumo de alimentos de alto teor de gordura e de refrigerantes é alto. O secretário avalia que alguns hábitos estão relacionados à falta de informação, como o consumo elevado de leite integral por adultos.
Os números de sedentarismo são homogêneos no País. "Há pequenas diferenças. Mas, em termos gerais, população se exercita muito pouco", observa o secretário. Homens praticam mais atividade física que mulheres. No País, 18,6% realizam atividades no tempo livre. Entre mulheres, esse índice é de 11,7%.
Opções. Longa jornada de trabalho e uma queda por massas. São esses os motivos que fizeram o ponteiro da balança do fotógrafo Cleiton Souza Maranhão, de 21 anos, chegar aos 112 kg. Seu índice de massa corporal (IMC) é 36,2, o que o coloca na faixa de obesos de segundo grau, uma abaixo da obesidade mórbida. "A rotina atrapalha muito", diz Maranhão. Ele acorda às 8 horas para fazer alguns trabalhos como free lance e deixa o escritório onde trabalha, na região central, às 23 horas. "Entre fazer exercícios e dormir mais, opto por dormir um pouco mais."
A dieta não é das mais saudáveis. De manhã, são dois pães na chapa; no almoço, arroz, lasanha, carne; à noite, mate com leite e alguns pães de queijo. O resultado de tanto carboidrato para pouca atividade física é excesso de peso e gordura localizada.
Maus hábitos
14,2% da população adulta é sedentária
34,2% comem carne vermelha gordurosa ou frango com pele
Fonte: O Estado de S. Paulo
"No geral, os números preocupam bastante", avaliou o secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. O trabalho, que analisa estatísticas sobre fatores de risco para doenças crônicas, aponta ao menos um bom indicador: a redução do número de fumantes entre a população em geral, que passou de 16,2% para 15,1% em cinco anos.
Segundo a pesquisa, quase metade da população está acima do peso. Entre mulheres adultas, os índices de sobrepeso aumentaram 5,8 pontos porcentuais entre 2006 e 2010, passando de 38,5% para 44,3%. Na população masculina, o aumento foi de 4,9 pontos porcentuais no mesmo período: passou de 47,2% para 52,1%. As taxas de obesidade também cresceram. Atualmente, 15% da população é considerada obesa. "Mantido esse ritmo, em 13 anos a população brasileira terá o mesmo perfil de obesidade que a população americana", disse o secretário.
Em relação às bebidas alcoólicas, a situação também piorou. Em 2006, 16,2% da população adulta admitia beber em excesso. O porcentual agora está em 18%. Entre mulheres, a variação subiu de 8,2% para 10,6%. Na população masculina, os índices passaram de 25,5% para 26,8%.
O secretário observa que a prevalência de hábitos pouco saudáveis é mais acentuada entre população de baixa escolaridade. "Daí a necessidade de se reforçar medidas preventivas", afirma.
Ele informa que o governo deverá apresentar no próximo semestre um plano de ações para combater quatro doenças crônicas comuns no País, como diabetes, problemas cardiovasculares, respiratórios e diversos tipos de câncer. A ideia é traçar ações para reduzir fatores de risco dessas doenças: tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade e sedentarismo. "Nesse momento, fazemos uma análise crítica das ações que até agora foram adotadas."
Esta é a quinta edição da pesquisa, batizada de Vigitel e feita por meio de entrevistas telefônicas com população adulta das capitais do País. Neste ano foram ouvidas 54.339 pessoas. A pesquisa mostra que hábitos alimentares da população vêm mudando para pior. Há uma redução do consumo de arroz e feijão, uma dupla clássica na dieta brasileira considerada protetora contra hábitos incorretos de alimentação. Ao mesmo tempo, o consumo de alimentos de alto teor de gordura e de refrigerantes é alto. O secretário avalia que alguns hábitos estão relacionados à falta de informação, como o consumo elevado de leite integral por adultos.
Os números de sedentarismo são homogêneos no País. "Há pequenas diferenças. Mas, em termos gerais, população se exercita muito pouco", observa o secretário. Homens praticam mais atividade física que mulheres. No País, 18,6% realizam atividades no tempo livre. Entre mulheres, esse índice é de 11,7%.
Opções. Longa jornada de trabalho e uma queda por massas. São esses os motivos que fizeram o ponteiro da balança do fotógrafo Cleiton Souza Maranhão, de 21 anos, chegar aos 112 kg. Seu índice de massa corporal (IMC) é 36,2, o que o coloca na faixa de obesos de segundo grau, uma abaixo da obesidade mórbida. "A rotina atrapalha muito", diz Maranhão. Ele acorda às 8 horas para fazer alguns trabalhos como free lance e deixa o escritório onde trabalha, na região central, às 23 horas. "Entre fazer exercícios e dormir mais, opto por dormir um pouco mais."
A dieta não é das mais saudáveis. De manhã, são dois pães na chapa; no almoço, arroz, lasanha, carne; à noite, mate com leite e alguns pães de queijo. O resultado de tanto carboidrato para pouca atividade física é excesso de peso e gordura localizada.
Maus hábitos
14,2% da população adulta é sedentária
34,2% comem carne vermelha gordurosa ou frango com pele
Fonte: O Estado de S. Paulo
sábado, 23 de abril de 2011
Casos de Aids entre jovens devem aumentar, diz Ministério da Saúde
Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira (1º) que há uma tendência de aumento dos casos de Aids entre os jovens. Um levantamento feito com 35 mil jovens de 17 a 20 anos revelou um aumento de 0,09% para 0,12%, nos casos em cinco anos. 630 mil pessoas estão infectadas com o vírus HIV no Brasil. Desse total, cerca de 230 mil ainda não sabem que são soropositivos
A pesquisa mostrou ainda que 97% dos jovens de 15 a 24 anos de idade reconhecem o preservativo como uma forma eficaz de evitar a infecção pelo vírus HIV. Mas o uso da camisinha na primeira relação sexual avançou relativamente pouco, de 52,8%, em 1998, para 60,9% em 2008.
Segundo o diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, apesar de terem mais informação, à medida que a parceria sexual se torna estável, o jovem tem deixado de usar o preservativo.
“O preservativo tem de fazer parte da nossa vida porque o HIV/Aids não é a única doença que pode ser transmitida. Tem hepatite, sífilis”, afirmou Greco.
O Ministério da Saúde informou ainda que foi registrada queda de 44,4% na incidência de casos de Aids em crianças menores de 5 anos, entre 1999 e 2009.
Para o governo, esse dado é resultado das ações para reduzir a transmissão vertical da doença. “Tem vários locais onde a transmissão da mãe para o filho desapareceu com tratamento adequado. Estamos buscando também diagnósticos mais precoces, acesso a tratamento e melhor qualidade de vida”, afirmou o diretor do Ministério da Saúde.
O diretor do Ministério da Saúde afirmou ainda que a abordagem sobre a doença nos meios de comunicação diminuiu, o que leva as pessoas a terem uma falsa sensação de que o risco desapareceu. Segundo ele, o foco da campanha do governo federal contra HIV/Aids deste ano é o preconceito. O objetivo é mostrar pessoas vivendo com a doença. A campanha é lançada nesta terça, Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
“A presença do preservativo sozinho não é suficiente, e nem do conhecimento. Acho que é preciso uma participação geral para nós mostrarmos que para ter vida sexual feliz na situação atual o preservativo tem de fazer parte disso”, disse Greco.
Dados do Ministério da Saúde também mostram elevação no número de casos novos e na incidência da Aids no Brasil. De 2008 para 2009, a quantidade de casos novos saiu de 37.465 para 38.538. Já a taxa de incidência, que era de 19,8 casos para capa 100 mil habitantes, em 2008, chegou a 20,1 casos no ano passado.
“Qualquer aumento para nós todos tem que ser preocupante. O aumento é pequeno, porque se você comparar o Brasil com outros países do mundo a história está mais ou menos igual. O Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento que facilitou acesso a diagnóstico, distribuiu preservativos”, afirmou Greco.
O governo estima que, atualmente, 630 mil pessoas estejam infectadas com o vírus HIV em todo o País. Desse total, cerca de 230 mil ainda não sabem que são portadores da doença, de acordo com o Ministério da Saúde.
Os números do governo mostram ainda que cerca de 11 mil pessoas morrem por ano, vítimas da Aids. O Sistema Único de Saúde distribui 20 medicamentos diferentes para cerca de 200 mil pessoas.
O Ministério da Saúde informou também que o governo brasileiro triplicou a oferta de testes rápidos para agilizar o recebimento do diagnóstico da doença. “Quanto mais rápido as pessoas chegarem ao serviço publico, menos risco tem de que elas transmitam a infecção. Está muito claro que as pessoas em tratamento acabam o risco epidemiológico, apesar do preconceito”, disse o diretor do Ministério da Saúde.
A região Sul apresenta a maior taxa de incidência (32,4 casos a cada 100 mil habitantes), seguida da Sudeste e Norte, com 20,4 e 20,1, respectivamente. Para a região Centro-Oeste a taxa foi de 18,0 e para o Nordeste, 13,9.
Confira os gráficos no site no G1: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/12/casos-de-aids-entre-jovens-devem-aumentar-diz-ministerio-da-saude.html
A pesquisa mostrou ainda que 97% dos jovens de 15 a 24 anos de idade reconhecem o preservativo como uma forma eficaz de evitar a infecção pelo vírus HIV. Mas o uso da camisinha na primeira relação sexual avançou relativamente pouco, de 52,8%, em 1998, para 60,9% em 2008.
Segundo o diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids do Ministério da Saúde, Dirceu Greco, apesar de terem mais informação, à medida que a parceria sexual se torna estável, o jovem tem deixado de usar o preservativo.
“O preservativo tem de fazer parte da nossa vida porque o HIV/Aids não é a única doença que pode ser transmitida. Tem hepatite, sífilis”, afirmou Greco.
O Ministério da Saúde informou ainda que foi registrada queda de 44,4% na incidência de casos de Aids em crianças menores de 5 anos, entre 1999 e 2009.
Para o governo, esse dado é resultado das ações para reduzir a transmissão vertical da doença. “Tem vários locais onde a transmissão da mãe para o filho desapareceu com tratamento adequado. Estamos buscando também diagnósticos mais precoces, acesso a tratamento e melhor qualidade de vida”, afirmou o diretor do Ministério da Saúde.
O diretor do Ministério da Saúde afirmou ainda que a abordagem sobre a doença nos meios de comunicação diminuiu, o que leva as pessoas a terem uma falsa sensação de que o risco desapareceu. Segundo ele, o foco da campanha do governo federal contra HIV/Aids deste ano é o preconceito. O objetivo é mostrar pessoas vivendo com a doença. A campanha é lançada nesta terça, Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
“A presença do preservativo sozinho não é suficiente, e nem do conhecimento. Acho que é preciso uma participação geral para nós mostrarmos que para ter vida sexual feliz na situação atual o preservativo tem de fazer parte disso”, disse Greco.
Dados do Ministério da Saúde também mostram elevação no número de casos novos e na incidência da Aids no Brasil. De 2008 para 2009, a quantidade de casos novos saiu de 37.465 para 38.538. Já a taxa de incidência, que era de 19,8 casos para capa 100 mil habitantes, em 2008, chegou a 20,1 casos no ano passado.
“Qualquer aumento para nós todos tem que ser preocupante. O aumento é pequeno, porque se você comparar o Brasil com outros países do mundo a história está mais ou menos igual. O Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento que facilitou acesso a diagnóstico, distribuiu preservativos”, afirmou Greco.
O governo estima que, atualmente, 630 mil pessoas estejam infectadas com o vírus HIV em todo o País. Desse total, cerca de 230 mil ainda não sabem que são portadores da doença, de acordo com o Ministério da Saúde.
Os números do governo mostram ainda que cerca de 11 mil pessoas morrem por ano, vítimas da Aids. O Sistema Único de Saúde distribui 20 medicamentos diferentes para cerca de 200 mil pessoas.
O Ministério da Saúde informou também que o governo brasileiro triplicou a oferta de testes rápidos para agilizar o recebimento do diagnóstico da doença. “Quanto mais rápido as pessoas chegarem ao serviço publico, menos risco tem de que elas transmitam a infecção. Está muito claro que as pessoas em tratamento acabam o risco epidemiológico, apesar do preconceito”, disse o diretor do Ministério da Saúde.
A região Sul apresenta a maior taxa de incidência (32,4 casos a cada 100 mil habitantes), seguida da Sudeste e Norte, com 20,4 e 20,1, respectivamente. Para a região Centro-Oeste a taxa foi de 18,0 e para o Nordeste, 13,9.
Confira os gráficos no site no G1: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/12/casos-de-aids-entre-jovens-devem-aumentar-diz-ministerio-da-saude.html
Possível avanço na pesquisa contra o HIV
"Paciente de Berlim' recebeu tratamento com células-tronco em 2007.
Médicos consideram que ele pode ter se livrado do vírus que causa a Aids."
O site "The Huffington Post" divulgou nesta terça-feira (14) que Timothy Ray Brown, conhecido como o "Paciente de Berlim", pode ser a primeira pessoa a ter se livrado do vírus HIV, causador da Aids, após tratamento com células-tronco. O caso de Brown, no entanto, é algo isolado, segundo os cientistas.
Médicos que monitoram o paciente afirmam que ele não possui mais o vírus, como resultado da aplicação de células-tronco em 2007, em meio a um tratamento contra leucemia.
O caso foi apresentado pela primeira vez em 2008, em uma conferência médica. Depois, foi publicado em 2009 em uma das principais revistas médicas do mundo, a "New England Journal of Medicine" (leia reportagem da época). Até então, no entanto, os médicos falavam apenas em um "desaparecimento" do HIV.
Entenda o caso
Timothy Ray Brown era HIV positivo, mas nunca chegou a desenvolver a Aids. Para evitar o surgimento da doença, ele tomava diariamente medicamentos antiretrovirais. Quando descobriu que tinha leucemia e precisaria passar por um transplante de médula-óssea, Brown teve que parar com a medicação contra o HIV. Em todos os outros pacientes, a interrupção faz a doença aparecer em questão de semanas. Em Brown, isso não aconteceu.
Os cientistas acreditam que a doença não se desenvolveu porque, para o tratamento contra a leucemia, Brown recebeu um transplante de células-tronco com uma mutação -- elas não possuíam um receptor chamado CCR5, que é vital à multiplicação do vírus da Aids. Como consequência, o organismo dele conseguiu recompor as células de defesa que tinham sido atingidas pelo vírus.
O caso de Brown é um avanço na busca pela cura do HIV, com base na aplicação de células-tronco geneticamente alteradas. O vírus da Aids infecta 33 milhões de pessoas em todo o mundo.
Fonte: G1
Médicos consideram que ele pode ter se livrado do vírus que causa a Aids."
O site "The Huffington Post" divulgou nesta terça-feira (14) que Timothy Ray Brown, conhecido como o "Paciente de Berlim", pode ser a primeira pessoa a ter se livrado do vírus HIV, causador da Aids, após tratamento com células-tronco. O caso de Brown, no entanto, é algo isolado, segundo os cientistas.
Médicos que monitoram o paciente afirmam que ele não possui mais o vírus, como resultado da aplicação de células-tronco em 2007, em meio a um tratamento contra leucemia.
O caso foi apresentado pela primeira vez em 2008, em uma conferência médica. Depois, foi publicado em 2009 em uma das principais revistas médicas do mundo, a "New England Journal of Medicine" (leia reportagem da época). Até então, no entanto, os médicos falavam apenas em um "desaparecimento" do HIV.
Entenda o caso
Timothy Ray Brown era HIV positivo, mas nunca chegou a desenvolver a Aids. Para evitar o surgimento da doença, ele tomava diariamente medicamentos antiretrovirais. Quando descobriu que tinha leucemia e precisaria passar por um transplante de médula-óssea, Brown teve que parar com a medicação contra o HIV. Em todos os outros pacientes, a interrupção faz a doença aparecer em questão de semanas. Em Brown, isso não aconteceu.
Os cientistas acreditam que a doença não se desenvolveu porque, para o tratamento contra a leucemia, Brown recebeu um transplante de células-tronco com uma mutação -- elas não possuíam um receptor chamado CCR5, que é vital à multiplicação do vírus da Aids. Como consequência, o organismo dele conseguiu recompor as células de defesa que tinham sido atingidas pelo vírus.
O caso de Brown é um avanço na busca pela cura do HIV, com base na aplicação de células-tronco geneticamente alteradas. O vírus da Aids infecta 33 milhões de pessoas em todo o mundo.
Fonte: G1
quinta-feira, 21 de abril de 2011
Você é Uma Pessoa Resiliente?
Nas empresas, escolas, e até na imprensa tem se falado e valorizado muito as pessoas resilientes. Ou seja, a Resiliência vem sendo praticada no desenvolvimento pessoal, profissional e social.
Mas afinal o que é ser Resiliente ou ter Resiliência?.
A palavra Resiliência vem do latim RESILIO, que significa “voltar ao normal”.
A psicologia denomina o termo Resiliência como uma capacidade que certas pessoas têm de sofrer fortes pressões ou situações de grande estresse e não quebrar-se emocionalmente. Ser resiliente é uma qualidade e precisa de atitude para enfrentar as pressões e adversidades do cotidiano.
O profissional resiliente não aceita o medo, a tristeza e a raiva. Estes são sentimentos que paralisam a pessoa, impossibilitando-a a uma retomada de ação. Os resilientes são capazes de vencer as dificuldades e os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que sejam. Pode ser desde a morte de alguém muito querido, um desemprego inesperado, a separação dos pais, a repetência na escola ou uma catástrofe.
Você está se vendo no espelho? Lembrou-se de alguma situação em que agiu como um resiliente e não sabia que possuía esta qualidade? Acredito que todos nós, em vários momentos de nossas vidas, querendo ou não, precisamos ser resilientes para poder sobreviver.
Focando um pouco no mercado corporativo, diferentemente do que muitos imaginam, o estresse hoje vem sendo analisado nas mais diferentes áreas e setores do mercado de trabalho, estando presente nos mais distintos níveis hierárquicos, intensificando-se na medida em que aumentam as cobranças, pressões, etc. O mercado procura profissionais que saibam trabalhar sob pressão, pois possuem flexibilidade para moldarem-se a cada situação de obstáculo e desafio. Quanto mais resiliente, maior será o seu desenvolvimento pessoal. Isso o torna uma pessoa mais motivada e com capacidade de contornar situações que apresentem maior grau de tensão.
Em algumas empresas vem sendo considerada uma competência importante a ser desenvolvida, deixando de lado um pouco o tema Liderança (tão falado anteriormente).
As mulheres têm um melhor preparo cognitivo, afetivo e comportamental para lidar com as adversidades em seus diversos papéis (mãe, filha, avó, esposa, amante, profissional, etc.).
Como diz uma grande amiga, ser Resiliente ou ter Resiliência é uma arte – a arte de enfrentar as dificuldades, levantar a poeira e dar a volta por cima. Mas vou dizer uma coisa, não é nada fácil praticá-la. Precisa-se de muita Competência, Coragem, Persistência e principalmente Alegria de Viver.
Marlene Baldin
Mas afinal o que é ser Resiliente ou ter Resiliência?.
A palavra Resiliência vem do latim RESILIO, que significa “voltar ao normal”.
A psicologia denomina o termo Resiliência como uma capacidade que certas pessoas têm de sofrer fortes pressões ou situações de grande estresse e não quebrar-se emocionalmente. Ser resiliente é uma qualidade e precisa de atitude para enfrentar as pressões e adversidades do cotidiano.
O profissional resiliente não aceita o medo, a tristeza e a raiva. Estes são sentimentos que paralisam a pessoa, impossibilitando-a a uma retomada de ação. Os resilientes são capazes de vencer as dificuldades e os obstáculos, por mais fortes e traumáticos que sejam. Pode ser desde a morte de alguém muito querido, um desemprego inesperado, a separação dos pais, a repetência na escola ou uma catástrofe.
Você está se vendo no espelho? Lembrou-se de alguma situação em que agiu como um resiliente e não sabia que possuía esta qualidade? Acredito que todos nós, em vários momentos de nossas vidas, querendo ou não, precisamos ser resilientes para poder sobreviver.
Focando um pouco no mercado corporativo, diferentemente do que muitos imaginam, o estresse hoje vem sendo analisado nas mais diferentes áreas e setores do mercado de trabalho, estando presente nos mais distintos níveis hierárquicos, intensificando-se na medida em que aumentam as cobranças, pressões, etc. O mercado procura profissionais que saibam trabalhar sob pressão, pois possuem flexibilidade para moldarem-se a cada situação de obstáculo e desafio. Quanto mais resiliente, maior será o seu desenvolvimento pessoal. Isso o torna uma pessoa mais motivada e com capacidade de contornar situações que apresentem maior grau de tensão.
Em algumas empresas vem sendo considerada uma competência importante a ser desenvolvida, deixando de lado um pouco o tema Liderança (tão falado anteriormente).
As mulheres têm um melhor preparo cognitivo, afetivo e comportamental para lidar com as adversidades em seus diversos papéis (mãe, filha, avó, esposa, amante, profissional, etc.).
Como diz uma grande amiga, ser Resiliente ou ter Resiliência é uma arte – a arte de enfrentar as dificuldades, levantar a poeira e dar a volta por cima. Mas vou dizer uma coisa, não é nada fácil praticá-la. Precisa-se de muita Competência, Coragem, Persistência e principalmente Alegria de Viver.
Marlene Baldin
quarta-feira, 20 de abril de 2011
"ESCUTATÓRIA" de RUBEM ALVES
"Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar... Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular. Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que... Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança... Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência... E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto." de Rubem Alves
Parafraseio o Alberto Caeiro: Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma. Daí a dificuldade: A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor... Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração... E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade. No fundo, somos os mais bonitos... Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. Vejam a semelhança... Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio... Abrindo vazios de silêncio... Expulsando todas as idéias estranhas. Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos... Pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir... São duas as possibilidades. Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado. Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou. E, assim vai a reunião. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência... E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras... No lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia... Que de tão linda nos faz chorar. Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto." de Rubem Alves
"A depressão é um sintoma da vida veloz demais"
"O tempo que corre rápido e a idéia de que é preciso estar sempre alegre podem estar na origem de um dos grandes males do século XXI: a depressão. A partir de casos que chegaram ao seu consultório e de reflexões históricas, a psicanalista Maria Rita Kehl levantou a hipótese de que a depressão é, sim, um sintoma social. No livro “O Tempo e o Cão” (editora Boitempo), que chega esta semana às livrarias, ela pondera:
- Os depressivos, além de se sentirem na contramão de seu tempo, vêem sua solidão agravar-se em função do desprestígio social de sua tristeza Para Maria Rita Kehl, numa sociedade que “aposta na euforia como valor”, a tristeza e o desânimo tendem a ser vistos como patologia, como um comportamento a ser corrigido – de preferência, com remédios. A psicanalista me recebeu em seu consultório, no bairro de Perdizes, em São Paulo, para esta entrevista que toca em alguns das reflexões presentes no livro. Você diz que a depressão, hoje, é semelhante ao que era a histeria século XIX. Quer dizer que a tristeza é tão mal aceita hoje quanto era o comportamento feminino não recatado? Quando falo de sintoma, não me refiro a dados estatísticos. Mas por que podemos pensar a histeria, no século XIX, como sintoma social? Porque, nas regras de convívio e da moral desse período, o lugar da mulher estava claramente delimitado: a mulher que casa virgem, é fiel ao marido, cuida dos filhos, vive dentro de casa. A histeria se torna sintoma social quando os médicos começam a receber, nos consultórios, mulheres que tinham convulsões, cegueiras e paralisias sem que nada fosse constatado no exame clínico. Sempre houve e sempre haverá histéricas, mas, naquele momento, aquele comportamento enigmático causou um ruído por ser algo oposto à imagem da mulher serena, recatada, contida na sua expressão. As histéricas rasgavam a fantasia e sinalizavam que havia alguma coisa errada. E por que os deprimidos são o sintoma social deste início do século XXI? Se você pensar nos parâmetros da sociedade contemporânea, é possível dizer que se trata de uma sociedade anti-depressiva. É uma sociedade, aparentemente, com muita liberdade de escolha: como você quer viver, seu estilo de vida, como você vai se vestir, que tribo vai frequentar, o que vai comer, beber. Há muita liberdade no plano superficial, no plano da festa. Existe muito apelo para a diversão. Em contraste com o século XIX, em que o apelo era para contenção, sobriedade, repressão da sexualidade, hoje, a moral social é uma moral da diversão, não do sacrifício. É uma moral que chama para aquilo que, na psicanálise, chamamos de gozo. É mais do que o prazer, é o excesso. A rave não é, de alguma maneira, o símbolo disso tudo? E para aguentar uma rave você é obrigado, inclusive, a tomar uma química. O apelo social não é para você aguentar o trabalho, mas a festa. Claro que a festa é ótima. Mas o que digo é que ela foi transformada no ideal social deste momento. E o deprimido destoa radicalmente desse ideal. Sim, porque esta é a única sociedade em que as pessoas ficam infelizes por se sentirem culpadas de não estarem tão felizes quando deveriam. Se alguém está triste, o que é natural na vida, essa cobrança social duplica a infelicidade. O depressivo é sintoma social porque ele é aquele que não consegue aceitar o convite tão sedutor para estar sempre de bem com a vida. Mas esse é apenas um dos paradoxos. O outro diz respeito ao uso excessivo de medicação. Seria o paradoxo do aumento do consumo de anti-depressivos e, ao mesmo tempo, do número de deprimidos? A partir da década de 1980, a indústria farmacêutica começa a desenvolver anti-depressivos muito sofisticados. Era de se esperar que, com a oferta de soluções medicamentosas, o número de depressivos caísse. Em vez de cair, só aumenta. Você pode até dizer que isso acontece porque, havendo remédio, mais gente procura os médicos. Mas isso não explica um salto de 50%. Essa é uma das razões pelas quais esse tema começa a preocupar os psicanalistas. A psicanálise tem que começar a pensar na depressão, que passou muito tempo sendo tratada apenas por psiquiatras. Do contrário, estaremos condenando essas pessoas que se dizem depressivas a só se tratar com remédios. Mas o remédio, em muitos casos, é a única saída, não? Claro, e não se trata de pôr um campo contra o outro. Muitos depressivos precisam de medicação até para conseguir sair da cama, pegar um ônibus e vir para a consulta. Não é uma cruzada contra o anti-depressivo, mas um contra a medicalização indiscriminada. Por pressão dos laboratórios, os médicos começam a dar anti-depressivo para qualquer coisa: falta de apetite, stress, problemas no trabalho, mau humor. Qual a conseqüência disso? Muitas vezes eu recebo pacientes, aqui no consultório, ou numa escola do MST em que atendo pessoas de baixa renda, que já chegam se dizendo deprimidos. Esse é diagnóstico do século. Aí você descobre que aquela pessoa não é deprimida, ela apenas não se recuperou de uma perda qualquer. Há casos de gente que passa a vida tomando remédio sem precisar. E o anti-depressivo produz uma certa acomodação, um esvaziamento psíquico. Psicanaliticamente, como pode ser definido um depressivo? O depressivo recua para não ter de enfrentar conflito. E o conflito é o centro da vida psíquica. Não é que você tenha que viver em conflito, não saber o que quer, mas a vida psíquica exige constantes enfrentamentos entre o vetor do desejo e o do super-ego, que diz “isso não pode”. O depressivo tende a recuar diante da necessidade de fazer escolhas e a não enfrentar os desafios da vida. Você fala, no livro, que o depressivo tende a ser visto como “o portador de más notícias”. Voltando ao caráter social da depressão, o quanto essas característica são agravadas hoje? O senso comum imagina que fulano não sai da cama porque está deprimido. Estou propondo inverter um pouco a lógica. Fulano está deprimido porque não sai da cama, não sai do quarto, não sai de casa. Ou seja, primeiro o sujeito recua e, em consequência desse recuo, ele se deprime. Qual o papel da tecnologia nisso tudo? Ela agrava o isolamento? A tecnologia propicia muitas relações, mas sem a presença corporal. E a pulsão vital do homem só se mobiliza diante do outro corpo. Se ficar apenas mandando mensagens ou e-mails, você pode ficar num estado de esfriamento. Não é falar mal da tecnologia, mas ela não pode substituir o presencial. Mas o que mais chama a minha atenção é o ritmo veloz que a tecnologia imprime à vida, a velocidade com a qual ela te solicita. A internet, o celular, o trânsito te solicitam sem parar. Quando você dirige um carro na marginal, você não pode parar de responder a estímulos externos. A imagem do motorista na auto-pista é uma espécie de metáfora do sujeito contemporâneo. Ele não pode ficar para trás, não pode diminuir a velocidade e tem de estar atento a todos perigos e solicitações, numa permanente rivalidade com o outro. A falta de tempo pode levar à depressão? O psiquismo tem toda uma delicadeza. O homem é capaz de suportar tudo, mas as adaptações têm um preço. A adaptação à velocidade contemporânea, que atropela os processos psíquicos mais delicados, da memória, do devaneio, da fantasia, da chamada vida interior, pode ter como preço a depressão. A velocidade cria um vazio, e não um preenchimento. Pense numa semana em que você correu muito. A gente olha e parece que não aconteceu nada, parece que só o tempo voou por cima da gente. O que eu fiz do meu tempo? Nada, só respondi a estímulos, a demandas, e aí vem o sentimento de desvalorização da vida. Que participação a mídia tem nisso? A mídia e a publicidade são o arauto dessa ideologia. A publicidade tem de ser analisada. Que mensagem a publicidade vende? Seja um campeão, seja feliz, os outros que se danem. Como diz o (jornalista) Eugênio Bucci, a publicidade vende, sobretudo, a exclusão. E como preservar nossa vida psíquica? O Antonio Candido, na inauguração de uma biblioteca do MST, disse: tempo não é dinheiro, essa é uma barbaridade que o capitalismo nos impõe. O tempo é o tecido da vida. Essa foi uma das sementes do livro. É uma brutalidade eu pensar que tenho de fazer, sempre, o meu tempo render dinheiro. Vamos ver o que estamos fazendo com o tecido da vida, porque ele esgarça, ele rasga, perde a cor, fica fragilizado." por Ana Paula Sousa
- Os depressivos, além de se sentirem na contramão de seu tempo, vêem sua solidão agravar-se em função do desprestígio social de sua tristeza Para Maria Rita Kehl, numa sociedade que “aposta na euforia como valor”, a tristeza e o desânimo tendem a ser vistos como patologia, como um comportamento a ser corrigido – de preferência, com remédios. A psicanalista me recebeu em seu consultório, no bairro de Perdizes, em São Paulo, para esta entrevista que toca em alguns das reflexões presentes no livro. Você diz que a depressão, hoje, é semelhante ao que era a histeria século XIX. Quer dizer que a tristeza é tão mal aceita hoje quanto era o comportamento feminino não recatado? Quando falo de sintoma, não me refiro a dados estatísticos. Mas por que podemos pensar a histeria, no século XIX, como sintoma social? Porque, nas regras de convívio e da moral desse período, o lugar da mulher estava claramente delimitado: a mulher que casa virgem, é fiel ao marido, cuida dos filhos, vive dentro de casa. A histeria se torna sintoma social quando os médicos começam a receber, nos consultórios, mulheres que tinham convulsões, cegueiras e paralisias sem que nada fosse constatado no exame clínico. Sempre houve e sempre haverá histéricas, mas, naquele momento, aquele comportamento enigmático causou um ruído por ser algo oposto à imagem da mulher serena, recatada, contida na sua expressão. As histéricas rasgavam a fantasia e sinalizavam que havia alguma coisa errada. E por que os deprimidos são o sintoma social deste início do século XXI? Se você pensar nos parâmetros da sociedade contemporânea, é possível dizer que se trata de uma sociedade anti-depressiva. É uma sociedade, aparentemente, com muita liberdade de escolha: como você quer viver, seu estilo de vida, como você vai se vestir, que tribo vai frequentar, o que vai comer, beber. Há muita liberdade no plano superficial, no plano da festa. Existe muito apelo para a diversão. Em contraste com o século XIX, em que o apelo era para contenção, sobriedade, repressão da sexualidade, hoje, a moral social é uma moral da diversão, não do sacrifício. É uma moral que chama para aquilo que, na psicanálise, chamamos de gozo. É mais do que o prazer, é o excesso. A rave não é, de alguma maneira, o símbolo disso tudo? E para aguentar uma rave você é obrigado, inclusive, a tomar uma química. O apelo social não é para você aguentar o trabalho, mas a festa. Claro que a festa é ótima. Mas o que digo é que ela foi transformada no ideal social deste momento. E o deprimido destoa radicalmente desse ideal. Sim, porque esta é a única sociedade em que as pessoas ficam infelizes por se sentirem culpadas de não estarem tão felizes quando deveriam. Se alguém está triste, o que é natural na vida, essa cobrança social duplica a infelicidade. O depressivo é sintoma social porque ele é aquele que não consegue aceitar o convite tão sedutor para estar sempre de bem com a vida. Mas esse é apenas um dos paradoxos. O outro diz respeito ao uso excessivo de medicação. Seria o paradoxo do aumento do consumo de anti-depressivos e, ao mesmo tempo, do número de deprimidos? A partir da década de 1980, a indústria farmacêutica começa a desenvolver anti-depressivos muito sofisticados. Era de se esperar que, com a oferta de soluções medicamentosas, o número de depressivos caísse. Em vez de cair, só aumenta. Você pode até dizer que isso acontece porque, havendo remédio, mais gente procura os médicos. Mas isso não explica um salto de 50%. Essa é uma das razões pelas quais esse tema começa a preocupar os psicanalistas. A psicanálise tem que começar a pensar na depressão, que passou muito tempo sendo tratada apenas por psiquiatras. Do contrário, estaremos condenando essas pessoas que se dizem depressivas a só se tratar com remédios. Mas o remédio, em muitos casos, é a única saída, não? Claro, e não se trata de pôr um campo contra o outro. Muitos depressivos precisam de medicação até para conseguir sair da cama, pegar um ônibus e vir para a consulta. Não é uma cruzada contra o anti-depressivo, mas um contra a medicalização indiscriminada. Por pressão dos laboratórios, os médicos começam a dar anti-depressivo para qualquer coisa: falta de apetite, stress, problemas no trabalho, mau humor. Qual a conseqüência disso? Muitas vezes eu recebo pacientes, aqui no consultório, ou numa escola do MST em que atendo pessoas de baixa renda, que já chegam se dizendo deprimidos. Esse é diagnóstico do século. Aí você descobre que aquela pessoa não é deprimida, ela apenas não se recuperou de uma perda qualquer. Há casos de gente que passa a vida tomando remédio sem precisar. E o anti-depressivo produz uma certa acomodação, um esvaziamento psíquico. Psicanaliticamente, como pode ser definido um depressivo? O depressivo recua para não ter de enfrentar conflito. E o conflito é o centro da vida psíquica. Não é que você tenha que viver em conflito, não saber o que quer, mas a vida psíquica exige constantes enfrentamentos entre o vetor do desejo e o do super-ego, que diz “isso não pode”. O depressivo tende a recuar diante da necessidade de fazer escolhas e a não enfrentar os desafios da vida. Você fala, no livro, que o depressivo tende a ser visto como “o portador de más notícias”. Voltando ao caráter social da depressão, o quanto essas característica são agravadas hoje? O senso comum imagina que fulano não sai da cama porque está deprimido. Estou propondo inverter um pouco a lógica. Fulano está deprimido porque não sai da cama, não sai do quarto, não sai de casa. Ou seja, primeiro o sujeito recua e, em consequência desse recuo, ele se deprime. Qual o papel da tecnologia nisso tudo? Ela agrava o isolamento? A tecnologia propicia muitas relações, mas sem a presença corporal. E a pulsão vital do homem só se mobiliza diante do outro corpo. Se ficar apenas mandando mensagens ou e-mails, você pode ficar num estado de esfriamento. Não é falar mal da tecnologia, mas ela não pode substituir o presencial. Mas o que mais chama a minha atenção é o ritmo veloz que a tecnologia imprime à vida, a velocidade com a qual ela te solicita. A internet, o celular, o trânsito te solicitam sem parar. Quando você dirige um carro na marginal, você não pode parar de responder a estímulos externos. A imagem do motorista na auto-pista é uma espécie de metáfora do sujeito contemporâneo. Ele não pode ficar para trás, não pode diminuir a velocidade e tem de estar atento a todos perigos e solicitações, numa permanente rivalidade com o outro. A falta de tempo pode levar à depressão? O psiquismo tem toda uma delicadeza. O homem é capaz de suportar tudo, mas as adaptações têm um preço. A adaptação à velocidade contemporânea, que atropela os processos psíquicos mais delicados, da memória, do devaneio, da fantasia, da chamada vida interior, pode ter como preço a depressão. A velocidade cria um vazio, e não um preenchimento. Pense numa semana em que você correu muito. A gente olha e parece que não aconteceu nada, parece que só o tempo voou por cima da gente. O que eu fiz do meu tempo? Nada, só respondi a estímulos, a demandas, e aí vem o sentimento de desvalorização da vida. Que participação a mídia tem nisso? A mídia e a publicidade são o arauto dessa ideologia. A publicidade tem de ser analisada. Que mensagem a publicidade vende? Seja um campeão, seja feliz, os outros que se danem. Como diz o (jornalista) Eugênio Bucci, a publicidade vende, sobretudo, a exclusão. E como preservar nossa vida psíquica? O Antonio Candido, na inauguração de uma biblioteca do MST, disse: tempo não é dinheiro, essa é uma barbaridade que o capitalismo nos impõe. O tempo é o tecido da vida. Essa foi uma das sementes do livro. É uma brutalidade eu pensar que tenho de fazer, sempre, o meu tempo render dinheiro. Vamos ver o que estamos fazendo com o tecido da vida, porque ele esgarça, ele rasga, perde a cor, fica fragilizado." por Ana Paula Sousa
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